Calcule o tempo de vida dos seus sapatos desportivos

Quanto dura um par de sapatos para correr?

Quais os sinais de desgaste do calçado (d)esportivo?

O que fazer para aumentar a sua durabilidade?

Para responder a estas perguntas, devemos acima de tudo ter em conta que existirem muitas condicionantes que influenciam o tempo de vida útil de um par de sapatos tais como; o piso em que se pratica atividade (d)esportiva, o ciclo mecânico e o peso do corredor, além do tipo de materiais que constituem os sapatos, (só para nomear alguns), mas podemos colocar uma barreira de durabilidade num par de sapatos:
Considera-se que um par de sapatos (d)esportivos possui um tempo de vida útil de entre 500 a 800 quilómetros (150 a duzentas horas de utilização efetiva), estes valores são obviamente médias, considera-se que a partir destas distâncias as espumas da sola intermédia já perderam cerca de 30% da sua capacidade de amortecimentos original, existem corredores que consideram distâncias maiores como 1000 quilómetros ou mesmo 1200, no entanto são distâncias demasiado longas, as espumas já perderam demasiadas qualidades com essas distâncias.
Um estudo americano chegou à conclusão que com a distância de 400 milhas = 643.7376 Quilómetros, a pressão plantar aumenta em cerca de 64% (o que coincide com os cerca de 30% de perda de eficácia).



Embora não seja muito frequente, alguns dos atletas que eu atendi nestes anos de venda de calçado (d)esportivo, possuem um diário onde registam todos os treinos que efetuam com cada par de sapatos normalmente em quilómetros, embora também exista quem o faça em horas.

Um ponto muito importante que é importante frisar:
Um par de sapatos com este tempo não apresenta desgaste aparente nem na sola nem na estrutura superior, mas a sola intermédia já perdeu qualidades por compactação da espuma.


A durabilidade normalmente mede-se em tempo real de utilização, no entanto um par de sapatos também poderá perder as suas qualidades apenas com o armazenamento, basta ser armazenado em condições muito quentes ou frias (as espumas da sola intermédia tornam-se quebradiças ou moles com as variações de temperatura), normalmente não existem este tipo de condições no percurso normal entre a fábrica e o consumidor final.

É também verdade que as espumas modernas são menos afetadas por condições estranhas (por exemplo um holofote de uma loja), do que as espumas de alguns anos atrás, há não tanto tempo atrás, alguns tipos de espuma ficavam amarelecidos e quebradiços depois de algumas semanas ou meses em exposição na loja (sem utilização alguma).


O corpo humano tem uma grande capacidade de adaptação, se utilizarmos todos os dias o mesmo par de sapatos o corpo vai-se adaptando e não sente a perda gradual das suas qualidades (e assim realmente podemo-nos lesionar por repetição ou esforço), a melhor forma que temos para podermos evitar a habituação é a utilização de vários pares, rodando-os pelos treinos, desta forma comparamos realmente as qualidades dos sapatos, ao mesmo tempo que estamos a evitar lesões porque, de uma forma por vezes inconsciente estamos a compensar fraquezas de cada sapato, com outros modelos.

A rotação também permite uma certa recuperação das espumas entre os treinos.

Outro hábito que devemos criar é a substituição das palmilhas, tal como as solas dos sapatos, as palmilhas são feitas de uma espuma (EVA, Etil Vinil, Acetato), acontece que a espuma das palmilhas que vem com os sapatos é muito expandida, para ser muito fofa na loja, (levando por vezes o corredor à decisão da compra), pelo que é o primeiro componente a perder a capacidade de amortecimento de impactos por compactação, devendo por isso ser trocada pelo menos duas vezes ao longo da vida útil de um sapato, isto se for trocada por uma de características semelhantes à que vem de origem (isto é feita em EVA), porque existem outros matérias que duram tanto ou mais do que a vida útil de um par de sapatos.

O coração dos sapatos e o seu elo mais fraco (a sola intermédia):



A sola intermédia dos sapatos desportivos é feita em E.V.A. (Etil Vinil Acetato), um polímero material aborrachado que, devido à sua composição de célula aberta (expandido com ar), possui propriedades elásticas, sendo por isso utilizado quase universalmente nos sapatos desportivos de modo a amortecer os impactos provocados pela prática desportiva.
Acontece que o processo de fabrico das solas intermédias em E.V.A. é complicado e acima de tudo pouco preciso, basta uma alteração pequena para que o produto final adquira características ligeiramente diferentes (é um pouco como fazer panquecas; o tempo de repouso da massa, a temperatura do lume ou mesmo o tempo que a massa é batida, provocam pequenas diferenças no sabor, na consistência e na textura das panquecas) diferenças de até cinco Shore (medida de dureza dos materiais) é aceitável industrialmente.
Deste modo, é perfeitamente normal que existam dois sapatos da mesma marca e modelo mas que, na realidade, ofereçam capacidades de resposta diferentes, porque foram fabricados com solas intermédias provenientes de lotes diferentes.
Como pode acontecer que sapatos que aparentemente possuam solas intermédias iguais, um deles, ao fim de poucos dias de utilização, já tenha perdido todas as qualidades de amortecimento de impactos, apresentando-se comprimido (especialmente quando se trata de calçado menos elaborado como o de marca branca ou marca própria das lojas de distribuição).
A sola intermédia é a peça essencial de qualquer sapato desportivo moderno, no entanto, é também o elo mais fraco.
Devido ao facto de ser expandida com ar durante o seu fabrico, a sola intermédia vai-se comprimindo sob o efeito dos impactos repetidos provocados pela prática desportiva e, quanto mais se comprime menos eficácia de amortecimento de impactos possui.

Fatores que determinam a eficácia da sola intermédia


Os fatores que determinam a rapidez com que a sola intermédia perde a eficácia são:

1. O piso em que se pratica o desporto: como se sabe correr em asfalto, ou pisos sintéticos provoca forças de impacto superiores as provocadas pela terra ou relva, acabando por comprimir a sola intermédia mais rapidamente.

2. A densidade da sola intermédia: a densidade (relação ar/matéria numa zona determinada) da sola intermédia também determina a sua longevidade. Assim, quanto menos densa for a sola intermédia (o que significa que possui um grau de expansão elevado), maior será a facilidade com que esta "abate". Por outro lado, quanto maior for o grau de densidade, maior será a sua firmeza, e consequentemente maior será o seu tempo de vida útil.

3. O peso do praticante: parece razoável, se a prática de desporto (por exemplo corrida) provoca impactos na ordem de 2 a 10 vezes o peso do desportista, então quanto mais pesado for o praticante, maiores serão as forças a que a sola intermédia do calçado está sujeita e menor será o tempo que tarda a perder a eficácia por compactação.

4. O ciclo biomecânico do praticante, um praticante pronador provoca maior solicitação de forças na sola intermédia dos seus sapatos devido ao seu ciclo com excesso de movimentos de rotação, provocando uma perda de eficácia da sola intermédia mais rápida. O mesmo se passa com um supinador, devido ao facto de, no seu ciclo os impactos não serem dispersos corretamente pelo pé, para depois serem amortecidos. O ciclo neutro não provoca forças extraordinárias nas solas intermédias, pelo que terão um tempo de vida mais longo.
Esta perda de qualidades de um par de sapatos é gradual, e não uma barreira, um par de sapatos não chega ao limite de um dia para o outro, uma lesão típica causada pela perda de qualidades de um par de sapatos é uma lesão de esforço ou repetição, pelo que podemo-nos lesionar, mas não normalmente não acontece de um dia para o outro, acontece gradualmente.


As unidades de amortecimento:


As unidades de amortecimento (exemplo: Nike Air, Asics Gel, Mizuno Wave,Reebok DMX,Etc)são tecnologias colocadas pelos fabricantes nas solas intermédias dos sapatos com três objetivos:



1. Reduzir o peso; salvo em alguns casos, as unidades de amortecimento pesam menos que a espuma da sola intermédia que substituem.

2. Aumentar a capacidade de amortecimento de impactos da sola intermédia em zonas específicas; as unidades de amortecimento possuem capacidades de amortecimento superiores ás da espuma da sola intermédia.

3. Aumentar o tempo de vida útil da sola intermédia. Quanto maior for a unidade de amortecimento, maior será o tempo de vida útil da sola intermédia (porque possui menos quantidade de esponja que é menos durável). Esta é uma das razões pela qual cada vez as unidades de amortecimento dos sapatos são maiores.


O que fazer?


O que devemos fazer para nos defendermos avaliar a qualidade da sola intermédia. Apesar de ser difícil de avaliar a olho nu, existe uma série de testes que podem ser efetuados por qualquer um no acto da compra dos sapatos, podendo por isso ajudar a determinar a consistência da sola intermédia:
1. Agarre no sapato e tente detetar a existência de falhas ou bolhas na sola intermédia, a sua presença indica que se trata de sola intermédia de fraca qualidade.
2. Com a unha, faça uma marca (por compressão) com força na sola intermédia, quanto menos tempo a marca levar a desaparecer, maior será a elasticidade e, consequentemente, a qualidade da sola intermédia.
3. Por ultimo, raspe com a unha a sola intermédia (Num sitio não visível). Quanto menos marca conseguir fazer, maior será a firmeza da mesma.

Como evitar a compressão prematura da sola intermédia?

Exemplo de sola Intermédia com sinais de compactação



1. Substituir as palmilhas. As palmilhas também perdem a sua eficácia de amortecimento de impactos. Por isso, devemos substitui-las de 1/4 em 1/4 ou de 1/2 em 1/2 do tempo de vida útil dos sapatos (que varia com muitos fatores mas situa-se entre os 500 a 700 quilómetros ou 150 a 200 horas de prática). Ao fazermos estamos a "revigorar" parte da capacidade de amortecimento de impactos (mas atenção não se conseguem recuperar sapatos velhos com palmilhas novas).

2. Rodar os sapatos: se comprarmos sapatos com um mes de diferença entre eles e os usarmos de forma alternada, conseguimos que os dois pares durem mais do que se fossem utilizados de forma continua, não só porque assim o sapato comprime a sola intermédia com menos rapidez (uma vez que o período de repouso permite uma melhor recuperação das espumas da sola intermédia e palmilha), mas também porque o corpo não se habitua à falta de capacidade de amortecimento de impactos (porque possui outro par para comparação).

3. Evitar pisos muito duros: sempre que possível, devemos evitar pisos muito duros, pois quanto mais duros, maiores as forças sofridas pelas espumas das solas intermédias e palmilhas.

4. Usar calçado adequado para o nosso peso e ciclo mecânico: os sapatos para pessoas pesadas possuem solas intermédias mais firmes, assim como os sapatos para pronadores possuem E.V.A. de dupla densidade ou dispositivos antipronação resistindo melhor à solicitação de forças do pronador, um sapato adequado para cada tipo de necessidade além de ajudar a evitar lesões também pode ajudar a prolongar o seu tempo de vida útil. As solas intermédias dos sapatos desportivos são “afinadas” de acordo com o peso do utilizador a que se destinam, da mesma forma que os amortecedores de um camião TIR não são iguais aos de um carro familiar.



5. Compre sapatos com unidades de amortecimento: parece razoável, se as unidades de amortecimento prolongam a vida da sola intermédia, devemos procurar sapatos com unidades de amortecimento de impactos (independentemente da marca ou tecnologia pois todas elas funcionam ao contrário do que nos querem fazer crer).

6. Utilize ortóteses plantares (palmilhas ortopédicas). Se os problemas biomecânicos são uma das principais causas do desgaste prematuro das solas intermédias, no caso de termos alguma necessidade de apoio, utilizemos ortóteses plantares (palmilhas ortopédicas feitas à nossa medida), que não são nada mais do que dispositivos de apoio para corrigir a posição e os movimentos dos pés.

Quanto dura um par de sapatos de competição (Sc):


Não existem dados concretos, no entanto podemos aplicar uma regra de três simples:

Sapato de treino (St) dura (D) em média 650 km ( este número foi escolhido por se tratar de uma média)
Durabilidade do sapato de competição será proporcional ao seu peso
Se St pesa 350 G e dura 650 km
Então Sc pesa (digamos) 205 G e dura χ
305x χ = 133250
χ = 133250 ÷ 305
χ = 436,882 km


Tal como disse trata-se de uma média, cada caso é um caso

Durabilidade de um par de sapatos de acordo com a sua constituição Física:


Durabilidade do calçado de acordo com a constituição física:
Trata-se apenas de uma indicação, no entanto poderá ser útil:
Pessoas leves:

<65 kg
Os sapatos deste tipo de praticantes durará em média um pouco mais do que a média (até mais 100 km), podendo utilizar calçado mais leve e flexível.


Pessoas com peso médio:

65 A 85 kg
Os sapatos deste tipo de praticantes, durará dentro das médias anunciadas, devendo utilizar calçado de treino mais estável e evitar o calçado de competição, dando preferência aos sapatos de performance (por vezes designados como treino-competição)


Pessoas de constituição forte:

>85 kg
Os sapatos deste tipo de praticante deverá durar menos da média (até menos 100 Km), devendo procurar calçado mais firme e estável, para competição devem utilizar os mesmos sapatos, ou em alternativa sapatos de performance, os sapatos de competição são “proibidos” para este tipo de corredores.

Com que frequência devo trocar de calçado sem fazer demasiadas contas?

Pratica Desporto
Substitua
2 Vezes por semana 1 Vez por Ano
3 Vezes Por Semana Cada 8 Meses
4-5 Vezes por Semana Cada 6 Meses
6-7 Vezes por Semana Cada 4 Meses

Tabela pensada para pessoas com peso médio se for pesado retire dois meses da média se for leve aumente dois meses.

Adaptado de 2 textos; texto originalmente escrito para a revista atletismo e texto originalmente colocado no fórum de discussão "Pista 8"

Calcule o tempo de vida dos seus sapatos desportivos

 

 

Share/Bookmark